Como fazer pedidos de parceria

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Blogs literários e pedidos de parceria são uma constante no meu trabalho como autora - assim como, tenho certeza, acontece com praticamente todo autor nacional. Blogs e canais literários, em suas mais diferentes facetas, são os grandes aliados na hora de nós, autores iniciantes, divulgarmos nosso trabalho. Uma parceria bem realizada rende frutos muito bons para ambos os lados; o autor se torna mais conhecido, e invariavelmente consegue mais leitores, e o blogueiro ganha mais prestígio ao realizar um bom trabalho, invariavelmente angariando mais visitas ao seu site e, provavelmente, novas parcerias.

Mas com o passar dos anos, venho notando um despreparo cada vez maior por parte dos blogueiros iniciantes, bem como dos autores, na hora de buscar, oferecer e firmar as ditas parcerias. Sem discutir aqui os motivos por trás de cada um (porque, sério, essa discussão vai longe e não vem ao caso aqui), o que eu vejo é um imenso desrespeito de ambas as partes para com o trabalho do outro. Valorizar seu próprio trabalho é fundamental, sim, mas lembrar de valorizar o trabalho alheio também é imprescindível para que tanto a literatura quanto os blogs consigam crescer em conjunto. E é aí que eu tive uma ideia! Lembrando do meu já antigo Manual de Bons Modos, por que não fazer um guia simples pra ajudar o pessoal a pedir parcerias de uma maneira mais educada e eficaz?

PARA OS BLOGUEIROS

- Lembre-se de sempre, S E M P R E pesquisar sobre o autor que você pretende ter como parceiro. Isso inclui saber quais livros ele já publicou, olhar no seu site se ele realiza parcerias e saber de que formas você pode ter acesso ao trabalho dele. Um autor que só publica e-books, por exemplo, terá um jeito diferente de realizar parcerias, e é importante se preparar para essa possibilidade.

- RESPEITE O ESCRITOR. Você pode fazer isso de maneiras básicas, como não mandando e-mails idênticos para todos os autores que te interessam, personalizando o e-mail com o nome dele e dizendo os motivos pelos quais se interessa pelo trabalho dele. Além de respeitoso, isso também mostra ao autor que você está de fato interessado no trabalho que ele produziu, e não em ter um livro pra ler.

- Apresente dados sobre o seu blog ou canal. Mande o link, fale sobre números de acessos, ou, se for um veículo pequeno, fale sobre o engajamento da sua audiência. PREPARE UM MEDIA KIT. Dê ao autor motivos para fechar parceria com você e lembre-se que um dos principais requisitos quando a gente pensa em divulgação ainda é a questão visibilidade. Isso não significa que blogs pequenos não tem chance, só quer dizer que informação é a alma do negócio.

- Não mande seu endereço no primeiro e-mail de pedido de parceria. Apenas... não faça isso.

- E, sob hipótese nenhuma, envie um e-mail encaminhado e/ou com cópia para vários autores diferentes. Sério. Não.



PARA OS AUTORES

- Pesquise os blogs que te interessam. Certifique-se de que aquele site que você tanto ama resenha livros do seu gênero, pra não dar bola fora. E nunca, N U N C A saia enviando livros sem entrar em contato com a pessoa antes, mesmo que você tenha os dados da caixa postal dela. Receber livros é legal, mas isso não é garantia nenhuma de que você será lido. Se o seu intuito é uma parceria mesmo, com resenha e divulgação, CONVERSE! Mande um e-mail. Não custa nada.

- Quando entrar em contato, certifique-se de dizer de onde conhece o blog, porque gostaria de firmar parceria e as maneiras em que pode ajudar. RESPEITE O TRABALHO DO BLOGUEIRO. A galera rala muito pra fazer uma coisa legal.

- Se for abrir chamada para parcerias, deixe bem claro quais são as condições e as suas expectativas. Você tem todo o direito de só querer blog com um número X de acessos, ou de exigir uma resenha em 30 dias, mas o blogueiro também tem o direito de saber quais são as condições antes de se inscrever e decidir se pode cumpri-las ou não. Às vezes o que falta de tempo sobra de interesse, e você pode acabar firmando parcerias que não darão certo por pura falta de comunicação.

- BLOGUEIRO NÃO FAZ MILAGRE! Ou ainda, NINGUÉM É OBRIGADO A GOSTAR DO SEU LIVRO. Não seja o tipo de autor que exige resenhas positivas, uma super divulgação em outdoors e que não tem noção do quão trabalhoso ter um blog é. Novamente, respeite o trabalho dos blogs, e converse com os seus parceiros pra que todo mundo possa tirar o melhor da parceria. Não seja um autor mimizento.


Espero ter sido útil! Sintam-se livres para fazerem considerações a mais aí nos comentários!
Até mais ;)

A impostora

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Sou constantemente assombrada pelo fantasma da minha incompetência. Não consigo evitar.

É engraçado, porque a vida inteira, a única certeza que eu tive era a de que podia escrever. Não, podia não - sabia. Dominava. Sempre foi a única coisa em que acreditei que era boa, a que me agarrei quando nada mais dava certo. Eu não era boa em cálculos, em fazer provas e não sabia o que queria da vida, mas a escrita... na escrita eu podia confiar.

E confio. Um pouco. Eu acho. Mas parece que, quanto mais profissional me torno, menos acredito no meu potencial. Me pego às vezes escrevendo e me perguntando quem diabos ia querer ler aquilo. Fico imaginando se algum dia chegarei a viver da profissão que escolhi, não porque ela é difícil, mas porque talvez eu não seja boa o suficiente. Comercial o suficiente. Atrativa o suficiente.

E essa sensação me sufoca. Como todas as incertezas na minha vida, ela se torna uma bola de neve enorme em que já nem sei mais o que sou eu e o que é a ansiedade. Procuro alento nos leitores, nos amigos, nas histórias. E está tudo bem, enquanto somos só eu e o livro, eu e os personagens. Deixa de estar bem quando preciso encarar o mundo real.

Sou constantemente massacrada pelos meus próprios medos. Medo de nunca terminar o próximo projeto, de nunca escrever algo tão bom quanto o anterior, medo de ter perdido a mão. Me pergunto em que momento eu deixei de acreditar no que costumava ser meu único sossego. Me pergunto se algum dia vou ter essa certeza de volta.

Vulcão

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Se eu fosse vulcão, meus sentimentos seriam lava. Eles me preenchem, se agitam em mim até vazarem, levando tudo em seu caminho.

Não sei sentir pela metade. Não sei estar um pouco interessada, meio decepcionada ou um pouco triste. Tudo que eu sinto me suga, todos os sentimentos me dominam. Às vezes é tanta felicidade que canto sozinha. Às vezes a raiva me cega. Às vezes a incerteza sussurra tão alto ao meu ouvido que não consigo acreditar em mais nada.

Se meus sentimentos fossem chuva, eu seria alagamento. Nasci para transbordar. Em algum lugar, eu sei, há um barco me esperando para me levar pela inundação. Até lá, faço o que aprendi a fazer melhor e nado dentro de mim.

Larissa Responde #30

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Saudade

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Eu sinto sua falta.

Sinto falta da sua presença. Sinto falta de como você me abraça, de como sua voz ressoa nos meus ouvidos. Sinto falta de como seus dedos se encaixam perfeitamente entre os meus.

Eu sinto sua falta.

Sinto falta de ouvir sobre o seu dia. Sinto falta de rir das suas piadas idiotas e de te mandar fotos do que estou fazendo. Sinto falta das longas horas em que não nos falamos e das semanas infinitas quando não te vejo.

Eu sinto sua falta.

Sinto falta das conversas que ainda não tivemos. Sinto falta dos segredos que ainda não te contei, das partes que você não tocou e dos beijos que não te dei. Sinto falta do futuro que ainda está por vir, e do passado que tivemos, que me faz sorrir enquanto lembro.

Eu sinto sua falta. Sinto falta de nós dois.

Corda Bamba

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Às vezes, eu acho que as pessoas me odeiam.

Não é minha culpa. Não penso isso de maneira consciente, uma especulação voluntária sobre o caráter delas. É que as vezes, meu cérebro me sussurra coisas. Coisas que não quero ouvir, mas não posso evitar escutar. Coisas que me fazem mal.

Está nos pequenos detalhes. Na risada partilhada com outras pessoas bem no momento em que estou passando. Num olhar que interpretei errado. Numa mensagem que parece ter um tom diferente da habitual. Está tudo bem até não estar - e de repente, me convenci de que todo mundo me odeia. Como não odiariam? Lembro daquele comentário negativo que fiz em 2008 ou do desentendimento que tivemos mês passado. Lembro de todas as micro ações do meu dia a dia que podem tê-los levado a me odiar. Essas imagens me assombram a noite. Não consigo dormir porque sei que falhei, em tantos pontos que já é impossível corrigir.

Metade do tempo, não sei se o que eu vejo está realmente ali ou se foi só invenção da minha cabeça. A ansiedade me consome de uma maneira tão brutal que a realidade é distorcida diante das suas lentes. Preciso de reafirmações, de segurança, de certezas que já nem sei mais onde procurar. Preciso saber que sou amada, mas acima de tudo, preciso me convencer disso. Todos os dias.

E nesse meu caminho de loucura, tento não espalhar meu veneno. Tento não fazer com que me odeiem por conta dos meus pensamentos ruins. Já dei motivos suficientes, mas esses tento não dar. Disfarço. Finjo que não vejo os olhares, não ouço as risadas, não noto as nuances nas mensagens. Finjo e grito comigo mesma até me convencer que não me odeiam tanto assim. Não por isso. No meu circo particular, ando sempre na corda bamba, me perguntando quando é - se é - que vou me convencer que talvez, só talvez, seja possível me amar.
 
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