A Falácia da Produtividade

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Termine o livro. Adiante aquele freela. Dê banho nos cachorros. Leia três livros por semana. Faça, faça, faça -- ficar desocupado é o fim. Protelar é impensável. Meio da semana, e você aí, improdutivo?

Trabalhar de casa pode ser a melhor coisa, mas às vezes é uma merda. Especialmente porque eu nunca sinto que tenho permissão (de mim mesma, da minha família, do universo) para ser um ser humano normal e fazer coisas simples como tirar uma soneca, ou ver uma série. Todas as atividades não relacionadas a trabalho realizadas dentro do "horário de trabalho" (a.k.a. o famoso horário comercial) são um desperdício de tempo e de energia.

E aí, acontece como aconteceu em vários momentos nessas últimas semanas. Em meio à correria para terminar o livro novo, vídeos para gravar e editar e freelas pra terminar, me vi experimentando um esgotamento que parece quase ridículo para alguém que trabalha literalmente ao lado da própria cama. Não conseguia ter ideias. Não conseguia produzir. Comecei a cochilar em cima do teclado.

A gente vive numa era em que muito se cobra e pouco se recebe. Produza, produza, produza -- mas por um salário meio pombo, uma divulgação sem vergonha, um retorno mínimo, que às vezes nem paga o esforço que a gente dá. Estamos tão acostumados a vivermos em função do trabalho (ou, pelo menos, eu estou) que a gente esquece que precisa ser improdutivo às vezes. Que precisa e deve ter um dia de preguiça, um dia sem fazer nada, um dia sem pensar.

Mais do que isso, esses dias fazem bem! Depois de um dia de descanso, a mente se renova o bastante para pensar em novas ideias, tem energia o suficiente para dar um gás naquilo que você precisa fazer. Todo mundo precisa de um descanso, e às vezes, só aquele soninho da noite não é suficiente, especialmente se você, como eu, vai deitar, mas a cabeça continua trabalhando e te impede de dormir por muitas horas.

Então, acho que aprendi minha lição. Protelar pra sempre não é bom, mas tudo bem se dar uma folga merecida. Tudo bem não ser criativo 100% do tempo, tudo bem escolher por as séries em dia em vez de escrever aquelas 200 páginas. Tudo bem ser improdutivo. Todo mundo precisa disso. Eu certamente preciso. O melhor a fazer é aproveitar.

Larissa Responde #31

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Frio na barriga

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Gosto de como você faz eu me sentir. Essa coisa que floresce no meio euro e se espalha pelo meu corpo, e que não sei bem explicar o que é.

Gosto dessa sensação que faz eu me sentir com catorze anos de novo, me apaixonando pela primeira vez. Gosto de ter seu rosto em que pensar à noite, seus abraços com que sonhar.

Gosto desse frio na barriga que me acompanha sempre que vou te ver. Essa antecipação, essa saudade. Gosto de sorrir como boba só quando falam seu nome.

Gosto de me sentir assim, e gosto de me sentir assim por você. Gosto de pensar que, em algum nível, você sente também. Gosto desse sentimento. Gosto de você.

v i n t e e c i n c o

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Com vinte anos, eu tinha acabado de terminar meu primeiro e único namoro. Estava fragilizada, solitária. Achava que nunca mais fosse amar de novo, e me sentia impossível de ser amada.

Com vinte anos, eu acreditava que eu não tinha valor algum. Estava enfrentando (mais) uma dieta, tentando mudar quem eu era. Eu tomava remédio pra emagrecer. Eu odiava quem eu via no espelho.

Com vinte anos, eu tinha tomado o primeiro tombo de uma editora. Pensava em desistir da carreira. Não sabia exatamente para onde estava indo - só sabia que queria chegar lá.

Com vinte e cinco (ou quase), percebo que cinco anos fazem muito com uma pessoa. Sou a mesma, mas mudei, de todas as maneiras que importam.

Com vinte e cinco, posso não ter encontrado o amor de novo, mas sei que ele vai chegar um dia. Aprendi a amar meu corpo e a mim mesma. Tropecei mais muitas vezes, mas não desisti.

Com vinte e cinco, aprendi a respeitar meu tempo. A olhar para as coisas por outro ângulo. A pedir ajuda.

Com vinte e cinco, estou apenas começando.
 
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